segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Barra do Catimbó x Sapopemba


Marcos, Plinio. Na Barra do Catimbó: Editora do Autor, s/d, 125pp. (trecho extraído das páginas 50-53)

Por Moisés Basílio Leal


            Plínio Marcos é um escritor criativo, original e de com uma verve eloquente ao narrar as coisas das “quebradas do mundaréu”. Morreu fora do combinado, como diz Rolando Boldrin, com 64 anos, em 1999, mas nos deixou uma obra exemplar e que é pouco valorizada em nossa literatura.

            Veio do mundo marginal e praticou uma literatura marginal, na forma de escrever e de retratar a realidade social e ao colocar no centro de suas peças teatrais, artigos, contos e romances as personagens desse mundo como protagonistas e antagonistas, como é o caso nesse romance que retrata a favela da Barra do Catimbó e seus moradores.

            Arguto observador, Plinio Marcos em “Na Barra do Catimbó” faz uma narrativa literária do processo de crescimento desordenado da periferia da cidade São Paulo nas décadas dos anos de 1970 e 1980, aquilo que a sociologia conceituou de espoliação urbana. A combinação de uma nova ordenação da exploração do Capital com o regime autoritário brasileiro que criou as bases da precarização e espoliação da classe trabalhadora nos grandes centros urbanos. As favelas não se proliferaram por uma mero acaso, mas faziam parte do processo desordenado do crescimento econômico e desigual do país.

            Nesse modelo político, crescimento econômico e desigualdade fazem parte da mesma moeda. No seu romance, Plinio Marcos a partir do olhar do povão das “quebradas do mundaréu” mostra o nascimento desta nova sociabilidade, suas contradições e consequências. Um exemplo é como ele narra as ações dos bandidos e ladrões no interior da favela da Barra Catimbó nas figuras do bandido bom malandro (o negro Catimbó) e do bandido mal (Zecão) nas disputas pelas relações de poder numa comunidade que se forma sem ação de políticas públicas por parte do Estado. Outro exemplo é a disputa desse mesmo poder pela ação da religião, onde as religiões de matrizes africanas estão presentes e as igrejas de matrizes cristãs estão ausentes.

            Um importante detalhe me chamou atenção na obra, a citação de Sapopemba. Plinio Marcos sabia muito da geografia das “quebradas do mundaréu” da cidade de São Paulo e a citação do Sapopemba não está aí à toa. A região do Sapopemba nos anos de 1970 e 1980 é onde esse crescimento desordenado e desigual se dá de forma mais pungente na cidade. Nestas duas décadas a região teve um adensamento populacional enorme, principalmente com a formação de favelas em áreas públicas de fundo de vale e morros, como na fictícia Barra do Catimbó. 
 
            Por isso é emblemático o maior jogo de futebol vencido pelo time da Barra do Catimbó se dá em território sapopembense.

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Transcrição do trecho do romance Na Barra do Catimbó, Plínio Marcos, que cita Sapopemba:

... Seu Olegário pigarreou e, com sua voz rouquenha e com a autoridade de presidente, afirmou:
            - A nossa maior vitória, a maior de todos os tempos, foi a que a gente conseguiu contra o Estrela do Norte, um time de paraíba de obra que tinha campo lá pras banda do Sapopemba e que era metido a garantir resultado na peixeira. Pois a gente foi lá e carimbou eles. No campo deles.
            - E as peixeira, Seu Olegário?
            Seu Olegário mediu o perguntador, pigarreou mais uma vez, tomou um gole de cerveja e rosnou:
            - As peixeira eles teve que enfiar no cu, moleque. Foi ou não foi, Azulão?
            - Se o senhor tá dizendo, é que foi, Seu Olegário.
            O presidente correu a roda com os olhos, bebeu o copo de cerveja de uma só vez, limpou a boca com mão e, com sua voz rouquenha, prosseguiu:
            - Nós ganhamos eles de um a zero. Eles era invicto com nós. Nós acabamo com a alegria deles e continuemos mais nós. Agora, a verdade a gente diz. Essa vitória nó deveu ao Catimbó. Deveu ou não, Catiça?
            - Deveu. Mas a rapaziada que botem em campo não fez feio.
            - Nós foi lá com três caminhão de gente. Eles tinha umas dez vez mais gente pra garantir eles. Tudo na boca da espera, a fim de baixar o pau em nós. Uns quinhentos, eles tinha.
            - Bota gente deles nisso, Seu Olegário.
            - Era pra mais, Azulão?
            - Muito pra mais.
            - O que sei é que era gente pra caraio. O campo tava arrochadinho de cabeça-chata. Tava a três de altos com nego se agarrando pelos picos pra não espirrar pelo ladrão. Nós perto deles tava sem ninguém.
            - Mas não se afinamo.
            - Ah, isso não. Cheguemo maneiro, mas cheguemo pro desse e viesse. E entremo com a idéia de ganhar. Não foi, Catiça?
            - Também, botei um time encardido. Me lembro de cor até hoje. Nenê, Ranheta e Facada; Cativeiro, Chaminé e Bolbão; Chupeta, o falecido Zé Bigorna, o Chico Preto, o filha-da-puta do Piolhinho e o Chupim. Eta negada! Tudo eles ouriço. Mas conta o caso, Seu Olegário.
            Seu Olegário só olhou pra o Quim Ilhéu e ele entendeu que era para servir mais cerveja, o que fez rápido para não perder nenhum detalhe do caso. Seu Olegário esperou ser servido e só então continuou:
            - O jogo tava endurecido. Nós lá, eles cá. Eles cá, nós lá. Era bola com bola, pau com pau. Nós não entrava em campo, mas a torcida deles também não. Se alguém entra, ia feder. Nós tava ali. Até falemos pro Ranheta que se era para tirar o juiz, que ele podia tirar, que nós garantia. E o Ranheta acreditou. Tirou três juiz que eles botaram para roubar pra eles e botou três juiz pra roubar pra gente. Eles tirava o da gente e nós tirava os deles. Não tava fácil. Cda vez que ía tirar um juiz pra botar outro, era aquele quás-quás-quás do caraio. Parecia que ía ferver. Mas acabava indo pra frente. Uma zorra. Sabe como é, valia taça. Por falar nisso, Azulão, onde foi parar aquela taça que nós ganhou lá?
            - Nós perdeu ela no caminho. Nós deixou ela com aquele filho-da-puta do Melado e ele, bebum como uma vaca, deixou ela cair do caminhão e não falou porra nenhuma pra parar o caminhão e nós pegar a taça. Nós só viu quando chegou no pedaço. Aí, fizemo ele voltar a pé para achar o caneco e até hoje tamo esperando o corno filho-da-puta voltar com ela.
            - Tu tá confundindo essa taça com a que a gente ganhou do Corintinha da Vila Imaculada. Essa que o Melado perdeu. A do Estrela do Norte nós vendeu pro Bubu Intrujão pra poder pagar cerveja da festa. Se alemba, Seu Olegário?
            Meio embaraçado com a revelação do Catiça, que no entusiasmo estava revelando que eles vendiam o patrimônio do Amor e Glória, Seu Olegário continuou o caso, antes que alguém percebesse:
            - Mas nós ganhou essa taça por causa do Catimbó. O jogo tava duro. Zero a zero. Já tava escurecendo. A gente foi aí que um danado de um burro, que ninguém sabe de onde veio, entrou em campo e foi se plantar na nossa área. Bem perto do gol. Bicho filho-da-puta. Olha que entre nós e eles tinha mais de mil nego. Mil ou mais. Né, Azulão?
            - Bota gente nisso, Seu Olegário.
            - E aquela negada toda fez das tripa coração e o filho-da-puta do bicho não arredava. Dava coice. Queria morder. E não saía do lugar. Desgramado do bicho. Nós até tinha começado o enguiço pra trazer o caneco. Nós dizia: O burro é do campo de vocês, a taça é nossa. E eles vinha com papo de que nós é que levou o bicho pra complicar. A coisa começou a ficar encrespada. Já tava saindo uns empurra-empurra, uns tapão pra lá, outros pra cá, mais os diretor ainda tava naquela do deixa-disso. Só que eu já botei meu revólver no jeito. E tava naquele vai-não-vai,parecendo que ía, quando o Ctimbó que tava quieto berrou: “Eu tiro o burro dai”. Todo mundo duvidou. Mas o Catimbó se confirmou: “Eu tô dizendo que tiro essa porra daí e tiro mesmo. E quem for duvidar vai dividar da puta-que-pariu.” Um negrinho folgado quis azucrinar o Catimbó: “Então tira, porra.” Mas o compadre não se afobou. Meteu ficha: “Sou Amor e Glória até o cu criar bico. Por isso tem negócio. Se eu tirar o burro daí sozinho, é pênalti pra nós. Se eu não tirar o bicho, vocês fica com a porra da taça. Valeu?” Teve gente nossa que quis estranhar. Mas eu topei. Os paraíba de obra deles lá também topou. Porra, se todo aquele mundão de gente não tirou o bicho, não ía ser o negrão sozinho que ía tirar. Ficou tudo combinado. Então o Catimbó foi no burro e nem conversou. Deu um puta de um soco na cabeça do filho-da-puta do bicho. O burro nem tossiu nem peidou. Caiu duro. Não foi, Azulão?
            - Foi assim mesmo que foi, Seu Olegário. Como o senhor tá dizendo.
            - Aí, o Catimbó pegou o burro pelo rabo, arrastou ele prá fora do campo, jogou o bicho na vala e já foi berrando: “Vamo bater esse pênalti. Já matei um burro e não custa matar outro.” E eles meteram o galho dentro. Nós bateu o pênalti.
            - Quem chutou, Seu Olegário?
            - Quem sabe isso é o Catiça.
            - Foi o Chupim. Deu um puta bico na bola, que o gleiro deles nem viu onde ele foi. Foi na casa do caraio, lá no mato. Já tava escuro e eles foram procurar a bola, que era a única que eles tinha. Eu peguei a taça e nós veio simbora. Mas essa nós ganhou por causa do Catimbó. (páginas 50-53)


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

UM OLHAR DAS ESTUDANTES DE PEDAGOGIA SOBRE O MASCARENHAS DE MORAES EM 2015

Por Moisés Basílio Leal


        Sempre é bom encontrar coisas sobre a realidade que vivemos. E foi pesquisando ao acaso que encontrei o trabalho de pesquisa das alunas do 5º semestre do curso de Pedagogia da UniSant'Anna, Aline de Souza, Débora Paiva, Maria Adriana e Sâmara Xavier, sobre o Conjunto Habitacional Marechal Mascarenhas de Moraes.

      O trabalho foi  publicado no YouTube em dezembro de 2015 tem a duração de 15 minutos e procurou dar uma visão panorâmica do território e a partir desse diagnóstico apontar uma proposta de intervenção. 

Fonte: Internet, YouTube, acesso em 11/09/2017, https://youtu.be/Di9E78Ze3KA
         


quarta-feira, 9 de abril de 2014

O CAMPO DE ESPORTE CLUBE GAROA

Por Moisés Basílio

Achei nos meus guardados essa reportagem sobre o campo de futebol do Garoa, que saiu no jornal O Estado de S. Paulo no dia 25 de março de 2005. Quase 10 anos depois a paisagem local pouco foi alterada. 


quinta-feira, 3 de abril de 2014

MANIFESTAÇÃO DOS ALUNOS NA EE VALDIR FERNANDES PINTO NO MASCARENHAS DE MORAES

Por Moisés Basílio,


E não é que as manifestações chegaram ao Conjunto Mal. Mascarenhas de Moraes. Foi na noite dessa terça-feira na escola estadual do buracão. Cá de cima só escutei o barulho do helicóptero. Depois deu no jornal da TV na parte da manhã e repercutiu em várias mídias. 




Fonte: Internet, sítio G1-SP, em 03/04/2014: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/04/adolescentes-sao-apreendidos-em-protesto-por-melhorias-em-escola.html

Adolescentes são apreendidos em protesto por melhorias em escola

Confusão aconteceu na noite de quarta-feira, em Sapopemba, em SP. 
Secretaria da Educação não sabia de falhas na infraestrutura no colégio.


Dois adolescentes foram apreendidos depois de uma manifestação, que terminou em confusão, em Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, na noite de quarta-feira (2). Os jovens protestavam contra a estrutura precária da Escola Estadual Valdir Fernandes Pinto. A Secretaria Estadual da Educação disse que não foi informada dos problemas na infraestrutura do colégio.
O Bom Dia São Paulo já tinha recebido o e-mail de uma aluna contando os problemas da escola, goteiras nas salas de aula. Para evitar acidentes, os funcionários espalharam papelões pelo chão. Imagens de um celular mostram o teto manchado pelos vazamentos e uma escada interna completamente molhada após uma chuva.
Na noite de quarta, os estudantes marcaram um protesto contra a situação da escola. “Está assim [deteriorada] desde o ano passado: goteira, não tem nem como entrar, papelão no chão, a escola toda muito suja, não tem água para beber”, afirmou.

Testemunhas disseram que a confusão começou depois que alguns baderneiros começaram a jogar pedras contra os policiais, que acompanhavam o ato. Para conter os manifestantes, a Polícia Militar usou bombas de gás. Em nota, a corporação disse ter tentado negociar sem sucesso os manifestantes e que recorreu às "técnicas de controle de distúrbios civis" por causa de ataques com pedras feitas pelos manifestantes contra policiais e contra um carro da PM, que ficou danificado.
Segundo a Polícia Militar, os dois adolescentes foram detidos porque jogaram pedras contra os policiais. Na delegacia, eles foram autuados por ato infracional e serão apresentados na Vara da Infância e da Juventude.
O motorista Manoel de Souza Espindola, que é pai de um dos adolescentes, reclama das condições precárias da escola e da falta de segurança.

“A segurança não existe. Não tem policiamento. Não tem nada. Só chega policial na hora que acontece isso, mas as drogas em volta da escola isso ai é constante”, afirmou.

Sobre as reclamações sobre falta de segurança, a Polícia Militar disse, em nota, que adota medidas de prevenção na região da escola e que fez várias prisões, detenções e apreensões nos dois primeiros meses do ano.
A Secretaria Estadual da Educação disse que a chuva de domingo (30) arrancou algumas telhas da escola. Por isso, três salas foram alagadas, mas que nenhuma aula foi comprometida. A secretaria disse mandará um funcionário fazer uma vistoria na escola.

sábado, 11 de janeiro de 2014

AS HISTÓRIAS E O SAMBA DA TIA CIDA DE SÃO MATEUS

Por Moisés Basílio

Para quem mora no Conjunto Mascarenhas de Moraes, S. Mateus é terreiro vizinho e irmão. E é com entusiasmo que compartilho neste espaço as notícias do lançamento do trabalho musical da Tia Cida de S. Mateus. 


Um movimento cultural importante vem acontecendo nos bairros, vilas, conjuntos, comunidades, ocupações e favelas dos territórios da Zona Leste da cidade de S. Paulo nos últimos 10 anos. O processo da produção artística local tem conseguido dialogar com a cidade através de diferentes produtos culturais de importância e qualidade. 

Um exemplo maravilhoso é esse trabalho da Tia Cida, cuja a importância é o de resgatar o movimento social que propiciou o nascimento de um vertente profícua do samba paulistano no território de S. Mateus. 

Para quem conhece os bairros da periferia da Zona Leste, sabe que não é fácil empreender uma produção artística. Os recursos são parcos e tudo conspira contra. Por isso a satisfação é ampliada quando se vê um trabalho de qualidade sendo realizado na quebrada. Dá orgulho de ver e ouvir, dá um nó na garganta, dá uma vontade imensa de também cantar com a Tia Cida e sua turma.

Axé Tia Cida. 


Fonte: Sítio do SESC-SP: http://www.sescsp.org.br/online/edicoes-e-selo-sesc/196_CD+TIA+CIDA+DOS+TERREIROS#/tagcloud=lista

Tia Cida 728


TIA CIDA DOS TERREIROS
De autoria de Maria Aparecida da Silva Tarjan, a Tia Cida de São Mateus, o CD promove o encontro entre a cantora e os jovens do Quinteto em Branco e Preto, que costuram uma nova roupagem a sambas clássicos de Billy Blanco, Candeia, Dolores Duran e Dona Ivone Lara, revelando também novos compositores em canções inéditas.
Maria Aparecida da Silva Trajano foi uma das primeiras moradoras de São Mateus. Viu a comunidade crescer, teve papel social fundamental através do trabalho que realizou na paróquia e na creche da região, além de incentivar seus filhos e os amigos deles a fazerem sambas em sua casa, o que mantinha as crianças mais seguras. Com isso, a casa da Tia Cida se tornou o reduto do samba na região, os filhos e amigos deles cresceram, tornaram-se sambistas – alguns, inclusive, profissionais – e ela se tornou a matriarca do samba em São Mateus.
Dia 13 de dezembro, Tia Cida lançou seu primeiro CD com show no Sesc Belenzinho. Em entrevista, ela conta um pouco da sua história, como se tornou Tia Cida, a primeira vez que cantou para um grupo de pessoas (encorajada por Beth Carvalho em sua própria casa) e o porquê da escolha de cada música do repertório. Os podcasts trazem também depoimentos de Magnu Sousá e Ivison Pessoa, compositores e integrantes do Quinteto em Branco e Preto.

Para ouvir os três podcast com a própria Tia Cida contando sua história vá atéhttp://www.sescsp.org.br/online/edicoes-e-selo-sesc/196_CD+TIA+CIDA+DOS+TERREIROS#/tagcloud=lista

Podcast 1 - Tia Cida conta a sua história

Podcast 2 - Tia Cida e suas referências musicais
Podcast 3 - Tia Cida e suas raízes

TIA CIDA DOS TERREIROS
CDS

TIA CIDA DOS TERREIROS

TIA CIDA
Selo Sesc SP
2013
55 min. | 12 p.
CDSS 0048/13
CB 7898444700845
14 x 12,5 x 1 cm - R$ 20,00








domingo, 19 de maio de 2013

NOVIDADES SOBRE A SUBPREFEITURA DE SAPOPEMBA

Comentários Moisés Basílio,


A matéria do jornal anuncia as movimentações para a implantação da nova Subprefeitura de Sapopemba. Vamos acompanhar essa mudança do nosso governo local de perto.
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Lideranças apontam locais para futura sede da Subprefeitura de Sapopemba

sapo
No último dia 8 a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em segunda votação a reforma administrativa proposta pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Entre as mudanças está a criação da Subprefeitura de Sapopemba, antiga reivindicação da comunidade que é discutida há anos, mas nunca saiu do papel. Falta agora a sanção do prefeito, o que deve ocorrer já que a criação da unidade é a 89ª meta do plano anunciado pelo governo municipal para a gestão 2013/2016. Para a comunidade, a aprovação da proposta é uma grande vitória. Líderes comunitários acreditam que uma subprefeitura própria para o distrito de Sapopemba, que conta com cerca de 300 mil habitantes, irá proporcionar muitos benefícios à região.
Para o presidente da Associação Estrela do Bairro, José Amaro Capoeira, um dos idealizadores da proposta de
capoeiraadministração própria para o distrito, a criação da subprefeitura valorizará a identidade local. “Teremos orçamento próprio para desenvolver a região e trazer avanços para os serviços públicos em geral. O que era utopia, virou promessa e hoje é uma realidade”, afirmou Capoeira, que sempre cobrou o desmembramento de Sapopemba da Vila Prudente. “Não temos nada contra os distritos vizinhos, pelo contrário, devemos muito à Vila Prudente e ao São Lucas, mas as realidades são diferentes, assim como as necessidades”, completa.
Com a criação da subprefeitura própria prestes a sair do papel, começam as especulações sobre onde ficará a sede da unidade. Segundo Capoeira, três pontos são estudados pela Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. “Tenho conhecimento que três locais já foram avaliados para receber a sede da nova administração. Um é o CDC Parque Santa Madalena, na avenida Doutor Paulo Colombo Pereira de Queiroz; o outro é atrás do terminal de ônibus Teotônio Vilela, na avenida Arquiteto Vila Nova Artigas, e o terceiro fica na avenida Sapopemba, altura do número 10.600”, revelou.

sueliPara a presidente da Associação dos Idosos do Sapopemba Vida Nova, Rosa Pinto da Silva, a nova subprefeitura deve ser implantada entre o Teotônio Vilela e o Jardim Grimaldi. “Nessa localização a sede estará perto de todos os bairros que formam o distrito. O acesso da população será mais fácil para poder cobrar melhorias e resolver problemas com a Prefeitura”, comenta Rosa. “Estamos muito contentes com a aprovação da subprefeitura, mas terá que funcionar e possuir toda estrutura suficiente para atender as necessidades da região. Não queremos que a unidade seja apenas um cabide de emprego e que não tenha força para atuar”, completou.

drosaQuem também comemora é a gestora de projetos do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDECA) Sapopemba, Sueli Aparecida Santiago dos Santos. “Será muito importante o distrito ter orçamento próprio para o desenvolvimento local. Além disso, a comunidade poderá monitorar as ações que serão realizadas. Essa aprovação é uma vitória para as pessoas que moram na região”, declarou. Para Sueli a melhor localização para a subprefeitura é nas imediações do terminal de ônibus Teotônio Vilela. “Acredito que nesse trecho a população terá mais acesso, além de ficar mais próximo de bairros com maiores necessidades, como o Pró Morar, por exemplo”, conclui.
Folha conversou também com o chefe de gabinete da Subprefeitura de Vila Prudente/Sapopemba, Milton dos Santos Silva, que tem participado do processo de levantamento dos espaços que podem sediar a nova unidade. De acordo com ele, de seis a oito imóveis já foram avaliados, entre locais públicos e particulares. “Atualmente é muito difícil encontrar imóveis disponíveis e apropriados. Levantamos alguns pontos de acordo com critérios como localização, fácil acesso e metragem suficiente. Ainda não há nada certo, o que há de concreto é que a Prefeitura quer implantar esta nova subprefeitura o mais rápido possível. Acredito que este ano a região de Sapopemba já conte com a unidade administrativa”, revela.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

MONOTRILHO CHEGA AO MASCARENHAS DE MORAES

Comentários de Moisés Basílio:

As obras do monotrilho estão a todo vapor em nosso bairro. O canteiro de obras tem trazido muitos transtornos para o transito local, pois a avenida Sapopemba teve parte se suas faixas obstruídas. Tudo em nome do progresso.

A paisagem do bairro está mudando radicalmente. As enormes pilastras de cerca de 15 metros passarão a ser o novo cartão postal do Mascarenhas de Moraes. 

A matéria que saiu no Estadão mostra um pouco desse novo transporte coletivo. 
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A primeira visita ao monotrilho da zona leste

Composição da Linha 15 começa a tomar forma em fábrica de Hortolândia

14 de abril de 2013 | 2h 05

CAIO DO VALLE - O Estado de S.Paulo
Está para nascer o caçulinha dos trens de São Paulo. E a reportagem do Estado foi acompanhar os momentos finais dessa gestação. O primeiro monotrilho da Linha 15-Prata do Metrô, em construção em uma fábrica no interior, começa a ganhar as feições de uma máquina capaz de carregar até mil pessoas por viagem, metade de uma composição metroviária convencional. Seu desafio é grande: atender a uma das áreas mais carentes de transporte público de qualidade da capital: a zona leste.
Sons de rebites, marteladas e ajustes dominavam a linha de montagem instalada em Hortolândia, a 105 quilômetros de São Paulo, na manhã de sexta-feira. Os operários trabalhavam vigorosamente nos sete vagões do trem que vai inaugurar a "era" dos monotrilhos na capital.
Cada uma dessas partes se encontrava em um estágio de desenvolvimento. A mais avançada, uma das pontas da composição, já tem acabamento na parede interna e janelas instaladas.
Aliás, as janelas têm 1,2 metro de altura, são consideravelmente maiores que as dos trens que rodam nas linhas da Companhia do Metropolitano de São Paulo e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Quando o monotrilho estiver suspenso nas vigas por onde andará, a quase 15 metros do chão, elas proporcionarão vistas contundentes de São Mateus, Parque São Lucas e Vila Prudente.
Mas se o caçulinha ganha na amplidão de suas janelas, perde de seus irmãos maiores no quesito número de portas por vagão. São só duas por lado, ante quatro dos velhos trens. Outro aspecto que chama a atenção é que, diferentemente desses, o monotrilho tem portas que deslizam pelo lado de fora da lataria. A medida é para ganhar espaço, deixando a "carapaça" mais fina, explica o engenheiro Manuel Fernandes Gonçalves, gerente de produção da fabricante Bombardier.  
De acordo com ele, esse primeiro monotrilho deve ficar pronto em julho. Logo em seguida os vagões serão levados em caminhões para o pátio da Linha 15 na região do Oratório, zona leste, para início dos testes. Neste ano, a previsão é de que cinco trens sejam entregues ao Metrô. Os outros 49 sairão escalonadamente da fábrica até 2016, quando todos os trechos da Linha 15 deverão estar concluídos.
Será ele capaz? O modal não é exatamente inédito por aqui - já houve um pequeno monotrilho em Poços de Caldas (MG), mais para funções turísticas -, mas nunca foi submetido ao teste de fogo do cotidiano de uma cidade como São Paulo. Por isso, os especialistas são cautelosos em prever sua eficácia. Outro ramal de monotrilho está em construção na cidade, a Linha 17-Ouro, na zona sul, que abre em 2015. Outro está previsto para o ABC. Os trens da Linha 15 terão 90 metros de comprimento, ante 132 do Metrô e 170 da CPTM.
O consultor Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), pondera que a Linha 15, que cortará a zona leste radialmente, pode acabar sofrendo do mesmo problema pendular que acomete a sobrecarregada Linha 3-Vermelha, com uma demanda muito grande no sentido centro durante o horário de pico matinal. E vice-versa à tarde. "Mas, em tese, o monotrilho terá uma capacidade maior do que um corredor de ônibus."
Para Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), a tendência é que com a expansão da rede metroviária, a possível superlotação do monotrilho diminua. Por hora e sentido, os trens da Linha 15 transportarão até 48 mil passageiros, segundo o Metrô. Assim como na Linha 4-Amarela, as composições não terão condutores. O Metrô não divulgou quanto está gastando por trem.