sexta-feira, 19 de abril de 2013

MONOTRILHO CHEGA AO MASCARENHAS DE MORAES

Comentários de Moisés Basílio:

As obras do monotrilho estão a todo vapor em nosso bairro. O canteiro de obras tem trazido muitos transtornos para o transito local, pois a avenida Sapopemba teve parte se suas faixas obstruídas. Tudo em nome do progresso.

A paisagem do bairro está mudando radicalmente. As enormes pilastras de cerca de 15 metros passarão a ser o novo cartão postal do Mascarenhas de Moraes. 

A matéria que saiu no Estadão mostra um pouco desse novo transporte coletivo. 
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A primeira visita ao monotrilho da zona leste

Composição da Linha 15 começa a tomar forma em fábrica de Hortolândia

14 de abril de 2013 | 2h 05

CAIO DO VALLE - O Estado de S.Paulo
Está para nascer o caçulinha dos trens de São Paulo. E a reportagem do Estado foi acompanhar os momentos finais dessa gestação. O primeiro monotrilho da Linha 15-Prata do Metrô, em construção em uma fábrica no interior, começa a ganhar as feições de uma máquina capaz de carregar até mil pessoas por viagem, metade de uma composição metroviária convencional. Seu desafio é grande: atender a uma das áreas mais carentes de transporte público de qualidade da capital: a zona leste.
Sons de rebites, marteladas e ajustes dominavam a linha de montagem instalada em Hortolândia, a 105 quilômetros de São Paulo, na manhã de sexta-feira. Os operários trabalhavam vigorosamente nos sete vagões do trem que vai inaugurar a "era" dos monotrilhos na capital.
Cada uma dessas partes se encontrava em um estágio de desenvolvimento. A mais avançada, uma das pontas da composição, já tem acabamento na parede interna e janelas instaladas.
Aliás, as janelas têm 1,2 metro de altura, são consideravelmente maiores que as dos trens que rodam nas linhas da Companhia do Metropolitano de São Paulo e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Quando o monotrilho estiver suspenso nas vigas por onde andará, a quase 15 metros do chão, elas proporcionarão vistas contundentes de São Mateus, Parque São Lucas e Vila Prudente.
Mas se o caçulinha ganha na amplidão de suas janelas, perde de seus irmãos maiores no quesito número de portas por vagão. São só duas por lado, ante quatro dos velhos trens. Outro aspecto que chama a atenção é que, diferentemente desses, o monotrilho tem portas que deslizam pelo lado de fora da lataria. A medida é para ganhar espaço, deixando a "carapaça" mais fina, explica o engenheiro Manuel Fernandes Gonçalves, gerente de produção da fabricante Bombardier.  
De acordo com ele, esse primeiro monotrilho deve ficar pronto em julho. Logo em seguida os vagões serão levados em caminhões para o pátio da Linha 15 na região do Oratório, zona leste, para início dos testes. Neste ano, a previsão é de que cinco trens sejam entregues ao Metrô. Os outros 49 sairão escalonadamente da fábrica até 2016, quando todos os trechos da Linha 15 deverão estar concluídos.
Será ele capaz? O modal não é exatamente inédito por aqui - já houve um pequeno monotrilho em Poços de Caldas (MG), mais para funções turísticas -, mas nunca foi submetido ao teste de fogo do cotidiano de uma cidade como São Paulo. Por isso, os especialistas são cautelosos em prever sua eficácia. Outro ramal de monotrilho está em construção na cidade, a Linha 17-Ouro, na zona sul, que abre em 2015. Outro está previsto para o ABC. Os trens da Linha 15 terão 90 metros de comprimento, ante 132 do Metrô e 170 da CPTM.
O consultor Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), pondera que a Linha 15, que cortará a zona leste radialmente, pode acabar sofrendo do mesmo problema pendular que acomete a sobrecarregada Linha 3-Vermelha, com uma demanda muito grande no sentido centro durante o horário de pico matinal. E vice-versa à tarde. "Mas, em tese, o monotrilho terá uma capacidade maior do que um corredor de ônibus."
Para Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), a tendência é que com a expansão da rede metroviária, a possível superlotação do monotrilho diminua. Por hora e sentido, os trens da Linha 15 transportarão até 48 mil passageiros, segundo o Metrô. Assim como na Linha 4-Amarela, as composições não terão condutores. O Metrô não divulgou quanto está gastando por trem.

sábado, 30 de março de 2013

FESTA DO PADROEIRO SÃO SEBASTIÃO

COMENTÁRIOS DE MOISÉS BASÍLIO LEAL


O Conjunto Mascarenhas de Moraes tem na Igreja Católica uma das principais referências religiosa do bairro. Junto com a presença de fé, os católicos do Conjunto sempre foram muito ativos nas ações pelas melhorias de vida da população do bairro. 

A festa do padroeiro São Sebastião já faz parte da tradição do bairro.
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PARÓQUIA CELEBRA PADROEIRO COM TRÍDUO



Publicado em 23 de janeiro de 2013. Fonte: Sítio da Região Episcopal Belém - Arquidiocese de São Paulo - http://www.regiaobelem.org.br/blog/destaques/paroquia-celebra-padroeiro-com-triduo/

No domingo, dia 20 de janeiro, a paróquia São Sebastião, no Setor Sapopemba da Região Episcopal Belém, celebrou o dia de seu padroeiro com uma procissão, com cerca de 200 pessoas, que teve início na Praça Mascarenhas de Moraes, a poucos metros da paróquia e seguiu com cantos até a igreja, onde se celebrou uma missa em louvor a São Sebastião.
Celebração na Paróquia São Sebastião
A celebração fechou com chave de ouro o Tríduo que a paróquia havia iniciado na sexta-feira, quando a cada noite abordou respectivamente os seguintes temas: a história do mártir São Sebastião e a memória da região do Conjunto Mascarenha de Moraes e do início das comunidades católicas no bairro. “Os dois eventos aconteceram praticamente ao mesmo tempo, no início da ditadura militar, em outubro de 1968. Os primeiros moradores do Conjunto já sentiam a necessidade de professar a sua fé”, relembra Rosimeire de Fátima Testi, responsável por este resgate histórico.
Celebração na Paróquia São Sebastião
Na missa do padroeiro, uma visita querida valorizou ainda mais o evento: dom Odelir José Magri, hoje bispo da diocese de Sobral no Ceará, em visita ao Setor onde foi formador por três anos, entre 1997 a 1999, enquanto padre da Congregação dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus, aceitou o a convite da paróquia e presidiu a missa. Os padres Adriano Zerbini, Vanderlei Bervian e Luigi Andriolo concelebraram com dom Odelir.
Celebração na Paróquia São Sebastião
“Guardo boas recordações aqui do Sapopemba especialmente dos trabalhos na linha da promoção humana e da justiça social, que sempre foram muito fortes por aqui. Isto mostra que a Palavra é iluminada pelo testemunho de vida, tal como deste santo, São Sebastião, que teve uma história tão bonita”, disse dom Odelir. “E na fidelidade da fé, o grande desafio é continuar o trabalho de Igreja Missionária, que segue a Palavra de Deus e que defende a vida, sempre iluminada pelos desafios que vivemos hoje, como no campo da luta contra a violência, pela justiça, pela educação. Uma Igreja que se torna viva porque se encarna concretamente na luta do povo. Uma experiência de comunhão com Deus, mas que não desliga da caminhada concreta da vida”, concluiu.

sexta-feira, 29 de março de 2013

O MASCARENHAS DE MORAES E O FIM DA FAVELA DA VERGUEIRO

POR MOISÉS BASÍLIO LEAL

Tenho publicado nesse espaços textos que falam diretamente sobre o bairro do Mascarenhas de Moraes ou que de forma indireta tenha conexões com a história do bairro e da Zona Leste da cidade de S. Paulo.

O artigo acadêmico do geógrafo Lara sobre a Favela da Vergueiro é um daqueles textos que embora não falando diretamente sobre o Mascarenhas, tem profundas conexões com as situações que marcam a origem do nosso bairro, pois algumas das famílias que conseguiram suas casas no conjunto vieram para cá por conta do fim daquela favela.

Seria interessante se conseguisse relatos desse moradores sobre como foi esse processo de deslocamento e quais implicações que ele trouxe para suas vidas. 
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Fonte: Sítio da Revista Geográfica de América Central - http://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geografica/article/view/2281

FAVELA DA VERGUEIRO E MODERNIZAÇÃO À BRASILEIRA: APONTAMENTOS SOBRE INDUSTRIALIZAÇÃO E TRABALHO NA FORMAÇÃO DO CAPITALISMO NO BRASIL

Fernão Lopes Ginez de Lara

Resumen


A presente pesquisa trata da favela da Vergueiro, em São Paulo. Surgida nos anos 1950, foidespejada na década de 1970, representando um momento em que o fenômeno das favelas ainda não assumira grandes proporções na cidade. Sua análise se integra num estudo mais amplo sobre a modernização brasileira. Retomam-se debates sobre a indústrialização e o desenvolvimento do capitalismo brasileiro, que frequentemente situaram as favelas enquanto marginalidade ou atraso; inversamente, pressupõe-se que o desenvolvimento do capital amplia tais fenômenos. Recoloca-se a noção centro-periferia enquanto oposição necessária. Faz-se leituras de "O Capital" de Marx considerando a determinação da socialização mediada por abstrações, assumindo potencia explicativa a teoria do valor, o fetiche e a crise enquanto imanência do processo reprodutivo do capital. Coloca-se a discussão sobre o trabalho produtivo x improdutivo e a autonomização da reprodução do capital e capital fictício, verificando a importância das condições de trabalho para o surgimento e formação de favelas. Até o momento, verificou-se que a população daquela favela empregava-se na construção civil e serviços domésticos, tendo sido posteriormente deslocada para os extremos da metrópole (para outras favelas e loteamentos periféricos). Este trabalho é um mestrado em andamento.

Palabras clave


modernização, favelas, trabalho, São Paulo, Brasil.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

MAPA DO CONJUNTO HABITACIONAL MASCARENHAS DE MORAES



CONJUNTO MARECHAL MASCARENHAS DE MORAES: UM BREVE RELATO HISTÓRICO

 Por Professor Moisés Basílio Leal

            O Conjunto Habitacional Marechal Mascarenhas de Moraes é o nome oficial do bairro que foi inaugurado no dia 06 outubro de 1968, pelo prefeito Faria Lima, pelo então presidente da COHAB/SP, o empresário Mario Amato e demais autoridades civis e militares na cerimônia ocorrida na praça principal do  bairro. No mesmo ano também foi inaugurada a Escola Municipal de Ensino Fundamental Rodrigues de Carvalho. 

             O bairro está  localizado na altura do número 12.404 da Avenida Sapopemba, distrito do Sapopemba, Subprefeitura da Vila Prudente e Sapopemba, cidade de São Paulo, estado de São Paulo, Brasil.

            Ao norte do Conjunto Mal. Mascarenhas de Moraes passa a avenida Sapopemba e situa a divisa com o Jardim Sapopemba, bairro mais antigo. Ao leste e ao sul o bairro faz divisa com a Fazenda da Juta. E a oeste o bairro faz divisa com o Jardim Adutora e o Jardim São Roberto.

            O Conjunto Mal. Mascarenhas de Moraes foi um bairro planejado e construído pela COHAB/SP - Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo -   uma empresa da Prefeitura de São Paulo, fundada em 1965. Primeiro a COHAB construiu 1.117 casas/embriões, que depois gradualmente foram ampliadas pelos moradores, e depois, na década de 70 do século XX, fazendo frente à Avenida Sapopemba, a empresa construiu mais 176 apartamentos. Em 2005, a COHAB contabilizava que no conjunto moravam 6.465 habitantes.

            A esse número de moradores do conjunto, soma-se mais uma quantidade enorme de pessoas que a partir dos anos 80 iniciaram um movimento de ocupação dos terrenos públicos e do espólio do industrial Humberto Reis Costa no entorno do Conjunto Mascarenhas de Moraes em direção às regiões da Fazenda da Juta e Jardim São Roberto. Ao sul do bairro, essa ocupação se seguiu até ao córrego Oratório, marco da divisão da Capital com a cidade de Santo André. A oeste, o terreno público destinado pela COHAB/SP para construção de equipamento público municipal, parte foi cedido para a Igreja Católica que construiu a Igreja São Sebastião e a outra parte foi ocupada por populares. Mais acima, também a oeste, num terreno particular, que hoje está sendo loteado, está o campo de futebol do Garoa, que utiliza o espaço de comum acordo com os proprietários. O Garoa reivindica construção de um CDM nesse local.

            O nome do bairro, que foi construído e inaugurado durante o período do regime da ditadura militar, é uma homenagem ao comandante da FEB (Força Expedicionária Brasileira), Marechal Mascarenhas de Moraes, que lutou na Segunda Guerra Mundial, nos anos de 1944 e 1945, na Europa. Os nomes das ruas também são uma homenagem aos soldados brasileiros que morreram durante a guerra.

            A construção do Conjunto Mal. Mascarenhas de Moraes e a progressiva implantação de infra-estrutura urbana local induziram ao aparecimento de bairros vizinhos. Entre eles podemos destacar os bairros que surgiram de loteamentos populares como Jardim São Roberto e o Jardim Adutora. Já o bairro da Fazenda da Juta surgiu a partir de várias ocupações do Movimento dos Sem Terra urbanos, mutirões de autoconstrução e da construção de apartamento pelo CDHU, uma empresa do governo do Estado de São Paulo que realiza o programa de habitação popular.

            O bairro conta com uma rede de serviços públicos, mas que devido ao adensamento populacional dos bairros vizinhos  não atende adequadamente a população local. Os principais equipamentos dessa rede pública são: EMEF Rodrigues de Carvalho (Ensino Fundamental), Escola Estadual Valdir Fernandes Pinto (Ensino Fundamental e Médio); EMEI Eder Sader (Educação Infantil), EMEI Carlos Humberto Volpon (Educação Infantil); Unidade Básica de Saúde Mascarenhas de Moraes; 2 Telecentros.
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DOCUMENTO HISTÓRICO 1: Propaganda da inauguração do bairro no Jornal Folha de S. PauloFonte: Jornal Folha de São Paulo, sexta-feira, 04 de outubro de 1968, 1º caderno, página 5.



DOCUMENTO HISTÓRICO 2: Reportagem do jornal Folha de S. Paulo com críticas do Movimento de Organização de Voluntários pela Promoção do Favelado - MOV -, sobre a forma como a Prefeitura estava trazendo moradores de favelas para o novo conjunto.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo, 6 de outubro de 1968, 1º caderno, página 4


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

TIREOIDITE CRÔNICA AUTOIMUNE E OS MORADORES DA REGIÃO DO POLO PETROQUÍMICO DE CAPUAVA

Comentários de Moisés Basílio

O nosso bairro, Conjunto Mascarenhas de Moraes, faz parte dessa região. Daqui do alto da colina avistamos todos os dias as chamas que vem lá da Petroquímica de Capuava. O que agora sabemos é que além da luz emanada pelas chamas, também vem a poluição de elementos químicos que causam doenças. Vamos ficar de olho vivo nas próximas consultas médicas. 


Morador de área petroquímica tem mais doença na tireoide

Fonte: Sitio do Jornal O Estado de S. Paulo, 17 de setembro de 2012 | 10h 49

MARIANA LENHARO - Agência Estado
O aparecimento de casos atípicos de tireoidite crônica autoimune no consultório da endocrinologista Maria Angela Zaccarelli-Marino, em Santo André, fez a especialista desconfiar que a incidência da doença era mais alta na região próxima ao Polo Petroquímico de Capuava. Depois de 15 anos investigando o tema, a professora da Faculdade de Medicina do ABC concluiu que moradores da área tinham incidência cinco vezes maior da doença.
O complexo, que fica na divisa entre Santo André, Mauá e São Paulo, reúne 14 indústrias que fabricam subprodutos de petróleo. De 1989 a 2004, a pesquisadora selecionou 6.306 pacientes que buscaram avaliação endocrinológica em seu consultório. Ela os dividiu em dois grupos conforme a região de residência.
O primeiro, com 3.356 pacientes, era proveniente dos arredores do Polo Petroquímico. Já o segundo, de 2.950 pacientes, vinha de outra área industrial distante 8,5 km da primeira região, porém sem a presença de petroquímicas. Ao fim do estudo, 905 pacientes do primeiro grupo (ou 26,9%) foram diagnosticados com a doença. Já no segundo grupo, 173 (ou 5,1%) tiveram o diagnóstico. A tireoidite crônica autoimune é a principal causa de hipotireoidismo.
Os resultados foram publicados em maio na revista científica Journal of Clinical Immunology. Ao longo do estudo, a pesquisadora fez notificações sobre a situação às secretarias municipais de saúde e ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria Estadual da Saúde.
A pedido do promotor de Meio Ambiente de Santo André José Luiz Saikali, o CVE fez um estudo próprio para verificar o problema. O órgão analisou 1.533 voluntários das duas regiões. Enquanto 9,3% do primeiro grupo tinha tireoidite, apenas 3,9% do segundo grupo apresentava o problema. Os dados foram publicados na revista Environmental Research.
Além dos exames que já estavam presentes no estudo de Maria Angela, o CVE fez testes para dosar o iodo nesses voluntários. Havia a possibilidade de o aumento de casos da doença estar ligado a um consumo maior de iodo. "O CVE constatou que não era o iodo. Isso me deu uma certa tranquilidade, pois o estudo foi muito contestado", diz Maria Angela.
"Ninguém havia falado antes em tireoidite crônica autoimune provocada pelo ambiente. Sugiro uma nova denominação: tireoidite química autoimune", afirma a pesquisadora, que agora está iniciando um trabalho para identificar quais seriam os agentes químicos que desencadeariam a doença.
Para o imunologista Eduardo Finger, que tem pós-doutorado na área pela Escola de Medicina de Harvard e é chefe do departamento de pesquisa do SalomãoZoppi Diagnósticos, ainda é preciso determinar o que provoca a doença. "É preciso encontrar o poluente químico que tenha relação comprovada com a doença."
Consequências
A tireoidite crônica autoimune só começa a dar sintomas quando se instala o hipotireoidismo, diminuição da produção dos hormônios da tireoide. Os sinais são sonolência, queda de cabelo, pele seca, batimentos cardíacos mais lentos. Crianças podem parar de crescer e até desenvolver retardo mental. O tratamento, porém, é simples e envolve a reposição diária do hormônio tireoidiano.
A profissional de informática Noemi Lucena Silva, de 21 anos, descobriu a doença aos 9 anos. Ela mora ao lado de uma das indústrias petroquímicas. "Minha casa é literalmente ao lado da fábrica." Recentemente, a mãe de Noemi também foi diagnosticada com problemas na tireoide. Procurada pela reportagem, a Petrobras não comentou as conclusões do estudo. 
Irmãs vizinhas de indústria desenvolveram problema
As irmãs Gilda Buccini Martins, de 58 anos, e Sueli Buccini de Oliveira, de 52, moram lado a lado em casas geminadas no Jardim Santo Alberto, em Santo André, próximo ao Polo Petroquímico de Capuava. As duas são vítimas da poluição do entorno.
Gilda descobriu que tinha tireoidite crônica autoimune aos 50 anos. Sueli descobriu a doença com a mesma idade. No caso da filha de Sueli, de apenas 23 anos, a doença se manifestou mais cedo: há menos de um mês, ela teve de se submeter a uma operação para retirar um nódulo da tireoide.
Cansaço. Gilda conta que começou a se perceber mais cansada, com o cabelo mais fino e a pele seca, mas atribuía tudo à menopausa. Foi quando sua ginecologista pediu uma série de exames e percebeu a alteração da tireoide em um deles.
"Ficava encafifada, queria saber qual era a razão desse problema, queria saber de onde veio essa doença. Foi quando descobri que estavam fazendo uma pesquisa por aqui que relacionava o problema com a poluição."
A dona de casa relata que, por causa da indústria, o quintal sempre fica cheio de pó preto. "Às vezes, ela solta labaredas altas. Sai uma fumaça bem preta, depois começa a ficar cinza claro. A gente não consegue nem respirar direito. Mas eu não vou me mudar daqui. Quando você constrói a sua casa, constrói com amor e carinho."
O diagnóstico da auxiliar de enfermagem Nadia Fachini, de 56 anos, veio quando ela tinha 44. Ela resolveu ir ao médico porque estava obesa.
"A gente sempre teve medo dessa poluição. Tem dias em que começa a cair espuma do céu. Quando passamos mais perto, ficamos com o nariz ardendo", diz. Hoje ela faz tratamento com hormônio e controla com exames a cada três meses. / M.L.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

CAPELA DE S. MIGUEL ARCANJO É RESTAURADA

  Fonte: Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, dia 18 de julho de 2012

Igreja completa 390 anos de cara nova

 SÃO MIGUEL PAULISTA
Restauração da capela mais antiga da capital, na zona leste, descobriu pinturas de 250 anos

Igreja mais antiga de São Paulo, a Capela de São Miguel Arcanjo, em São Miguel Paulista, na zona leste, completa hoje 390 anos. E tem muito para comemorar: depois das obras iniciadas em 2006, a construção de 1622 foi totalmente restaurada, ganhou museu e ainda viu a redescoberta de duas pinturas murais que estavam escondidas atrás de altares havia pelo menos 250 anos.
Para entender a história do local, é preciso voltar aos primeiros anos da cidade. Em 1560, índios guaianás se desentenderam com os colonos da então Vila de São Paulo de Piratininga. Comandados por Piquerobi, irmão do conhecido cacique Tibiriçá – aliado dos padres jesuítas –, eles caminharam 20 km ao leste e criaram uma nova aldeia, batizada de Ururaí.
Receosa de perder esses índios, a Companhia de Jesus delegou ao padre José de Anchieta a missão de reencontrá-los. Um percurso difícil à época, parte por terra, parte pelo Rio Tietê. Quando chegou ao local, o religioso tratou de renomear o povoado como São Miguel de Ururaí. Ali ergueu uma pequena capela, de bambu e sapé. Nascia o bairro de São Miguel Paulista.
A rudimentar construção religiosa deu lugar, décadas mais tarde, a uma nova igrejinha de taipa de pilão. É esta, de 1622, que vence o tempo e resiste até hoje – tombada por Iphan, Condephaat e Conpresp, respectivamente os órgãos federal, estadual e municipal de proteção ao patrimônio.

Restauro. A histórica capela passou por um longo processo de restauração, dividido em duas etapas. Na primeira fase, que durou de 2006 a 2009, a meta foi recuperar o edifício estruturalmente. “Havia problemas elétricos, hidráulicos e de infiltração de água”, lembra o gestor do local, Alexandre Galvão. Foram investidos R$ 3 milhões, bancados pela iniciativa privada.
Paralelamente a esse trabalho, uma equipe de arqueólogos e historiadores se debruçou sobre fatos, documentos e registros para que, pela primeira vez, a história da capela fosse recuperada de forma oficial. “No Vaticano, descobrimos cartas de Anchieta a outros jesuítas que nos ajudaram a entender como o povoado nasceu e como a primeira igrejinha foi feita”, conta Galvão. A carta mais antiga encontrada foi escrita em 12 de outubro de 1561.
Todo esse material fez com que os administradores do templo vislumbrassem a instalação de um museu. Nascia então a segunda fase do projeto, orçada em R$ 2,8 milhões e iniciada em 2009. “Passamos a recuperar as imagens esculturais”, diz Galvão. “Quando restaurávamos os altares, descobrimos, escondidas atrás de dois deles, pinturas murais que estavam ocultas e ao mesmo tempo protegidas”, relata o restaurador Julio Moraes. “Foi uma importante surpresa.”
Essas pinturas estão sendo cuidadosamente restauradas. “O trabalho deve ser concluído em novembro”, estima Moraes. Acredita-se que esses murais tenham sido pintados no século 17. E estavam cobertos pelos altares desde cerca de 1760.
Quem quiser conferir essas obras, entretanto, precisa se apressar. Concluído o processo de restauro, elas deverão ser novamente “escondidas” pelos altares, por determinação dos órgãos de proteção do patrimônio. Mas haverá reprodução fotográfica delas no museu, que está aberto desde 2010 e atrai cerca de 400 pessoas por mês.
>> Arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo comenta a história da igreja.

Serviço
Capela (e Museu) de São Miguel Arcanjo: Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, s/nº, São Miguel Paulista. Visitação: de quinta a sábado, das 10h às 12h e das 13h às 16. Às quintas e sextas, é preciso agendar visita pelo telefone (11) 2032-3921 ou pelo e-mail capela.visitacao @hotmail.com. Ingressos: R$ 4. Mais informações: http://capeladesaomiguelarcanjo.blogspot.com.br
Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, dia 18 de julho de 2012

18.julho.2012 00:30:30

A capela mais antiga da cidade

Por Benedito Lima de Toledo*
A capela de São Miguel Paulista ostenta na verga de sua porta principal a inscrição: “Aos 18 de Julho de 1622 – S. Miguel”.
Com seus respeitáveis 390 anos de vida, essa capela conta em seu interior com “uma das primeiras e mais autênticas expressões de arte brasileira”, segundo Lúcio Costa. Por sua importância, foi o primeiro bem cultural em todo país a merecer, em 1938, o tombamento pelo SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), seguido posteriormente pelo CONDEPHAAT (1974) e pelo CONPRESP (1991).
São Miguel e Itaquaquecetuba eram alguns portos que foram se consolidando ao longo do Rio Tietê. A navegação fluvial constituía um essencial meio de comunicação. A partir do Porto Geral, situado junto ao Pátio do Colégio, os padres da Companhia atingiram regiões distantes, onde estabeleciam núcleos de catequização.
“A canoa foi o veículo do colonizador”, observa Leonardo Arroyo. Anchieta na sua Informação do Brasil e de suas capitanias (1584) cita que “a técnica e utilização de canoas feitas rapidamente, em poucos minutos, com a simples extração da casca de árvores e, em seguida, por meio do fogo, ajustando as pontas da casca (…), não poucos problemas eram resolvidos a contento”.
Anchieta, em toda sua existência, revelou-se incansável andarilho. Aprendeu a fabricar alpercatas, indispensáveis em terra onde não resistiam os sapatos “de coiro”, como se recorda, e foi o responsável pela abertura de um caminho pioneiro entre Cubatão e São Paulo que ficou conhecido como Caminho do Padre José.
Há referências à Aldeia de São Miguel de Ururaí em 1560, onde teria surgido uma capela de São Miguel Arcanjo erigida sob a orientação do padre José de Anchieta.
Sérgio Buarque de Holanda em Capelas Antigas de São Paulo pondera: “Nada indica que a igreja hoje existente na localidade seja a mesma que se ergueu na segunda metade do século 16. Sabe-se que pouco depois do ano de 1620 mudaram-se para ali, em grande número, índios de Itaquaquecetuba. O padre Francisco Morais (…) encontrou essa mudança efetuada quando veio de volta para São Paulo em 1624. Assim a transferência se fez entre 1620 e 1624. Nessa ocasião teria sido construída a capela hoje existente. O que condiz com a inscrição que ainda se lê gravada no batente superior da porta principal: “Aos 18 de Julho de 1622 – S. Miguel”.
São Paulo deve a construção da igreja hoje existente ao padre José Álvares, realizada com recursos fornecidos por Fernando Munhoz, conforme consta em seu testamento.
Após a expulsão dos jesuítas (1759) a aldeia passou à jurisdição dos frades franciscanos. A essa época, o Superior da aldeia (1781) era o célebre botânico frei José Mariano da Conceição Veloso, autor da obra Quinografia Portuguesa (1799).
A capela edificada em taipa de pilão, técnica muito difundida em São Paulo e notabilizada por sua solidez, contava com pé direito de quatro metros. Resolveu-se, então, realizar um alteamento da nave, passando esta a seis metros. Teria sido operação complexa. Foram introduzidos pilares adoçados às paredes laterais e a técnica utilizada nessa complementação foi o adobe (tijolos secos ao sol).
Nessa ocasião, uma capela foi edificada na lateral direita (1780) e o interior ganhou altares colaterais e pinturas. Os franciscanos mantinham contíguo à nave o chamado hospício destinado a acolher viajantes por dois ou três dias, “tendo para todos no dito hospício suficiente cômodo, assim de celas como refeitório, e mais oficinas”. O acesso se fazia diretamente pelo alpendre frontal. Atualmente o hospício cedeu lugar a um corredor lateral gradeado.
O alpendre, tão característico da arquitetura bandeirista, dos séculos 16 e 17, domina a composição e marca a imagem do monumento.
No momento, o interior de São Miguel está recebendo um cuidadoso trabalho de restauração. As pinturas em suas diversas modalidades de suporte ganham nova vida, dando coerência ao conjunto e estão sendo objeto de pesquisa por especialistas.
A capela de São Miguel foi implantada em um terreno elevado, cerca de 15 metros acima da cota do Rio Tietê e dele distante cerca de 500 metros. Em sua fase de uso regular, o porto contava com um renque de palmeiras imperiais assinalando o local de ancoragem. Essa relação do porto fluvial com a capela foi sendo, ao longo do tempo, seriamente prejudicada pela interposição de construções sem maior interesse.
Dada a relevância do monumento e sua posição na história das comunicações fluviais em São Paulo, impõe-se o restabelecimento desse quadro de relações que compõem o sítio original. “Um monumento não pode ser desvinculado de seu quadro natural” (UNESCO).
Carregado com os méritos apontados por Lúcio Costa, esse precioso acervo está a merecer a devida consideração.
* O arquiteto e historiador Benedito Lima de Toledo é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Bibliografia consultada
ARROYO, Leonardo. Introdução. In: ANCHIETA, José de. Informação do Brasil e de suas capitanias (1584). São Paulo: Ed. Obelisco, 1964.
BOMTEMPI, Sylvio. O bairro de São Miguel Paulista. São Paulo: Prefeitura Municipal/Dep. de Cultura, 1970.
COSTA, Lúcio. A arquitetura dos jesuítas no Brasil. Revista do SPHAN, Rio de Janeiro, n.5, 1941. p. 9-100.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Capelas antigas de São Paulo. Revista do SPHAN, Rio de Janeiro, n.5, 1941. p. 105-20.
PETRONE, Pasquale. Aldeamentos paulistas. São Paulo: Edusp, 1995.