Fonte: Jornal O Paulistano, dezembro 2009 - http://www.jornalpaulistano.com/regiao/regiao06.html
Embora a novidade esteja sendo bem vinda pela população, em virtude dos índices irrisórios de áreas verdes na região, persistem algumas dúvidas em relação ao decreto e a localização exata dos imóveis que serão afetados para o parque e o pátio do monotrilho. “Esse decreto ainda não é de desapropriação, mas o primeiro passo. E a área é toda das Linhas Corrente, inclusive os 50 mil do metrô que estão dentro dos 180 mil”, esclareceu o subprefeito de Vila Prudente/Sapopemba, Wilson Pedroso. “O pátio dos trens não vai retirar área verde. A medida do prefeito Kassab traz mais qualidade de vida às pessoas, além de atender ao apelo da sociedade local”.
Uma defensora do verde, a dona de casa Ivani Fernandes de Souza, que mora colada à área, sempre estava atenta aos movimentos dentro do terreno desocupado há mais de 15 anos. Qualquer gesto de retirada de árvores provocava reclamações imediatas. “Ainda estou temerosa se o pátio do monotrilho vai tirar árvores, mas essa notícia é ótima, pois sou pela preservação do verde e da fauna”, disse. Para que o local se tornasse público, ela já tinha pensado até em organizar protesto com moradores abraçando a área. “Por pouco tempo pudemos usar a pista de caminhada, mas logo fecharam o local”, acrescenta.
Outro local em que a notícia ecoou de forma bastante positiva foi na EMEF Cleomenes Campos, do Parque São Lucas. Alunos, pais e professores lançaram no começo deste ano movimento pela implantação do parque nessa área. “Os alunos notaram que existe uma grande preocupação com a retirada de árvores da Amazônia e que perto de suas casas não se dava tanta importância”, conta o professor de Matemática, Airton Aparecido do Carmo. Ao lado das professoras Marli Davas e Silmara Paiva, eles começaram a despertar preocupação nos alunos. “Eles canalizaram essa angústia e começaram a enviar mensagens por e-mail para a mídia regional e para as autoridades”.
FORTALECER O COMÉRCIO
Além dos ganhos para os moradores do entorno, a implantação do parque pode trazer outras melhorias para o bairro. “Conseguimos vender bem imóveis em Vila Zelina, Jardim Avelino e Vila Alpina, mas no Jardim Independência os compradores mostram desinteresse, pois o comércio básico naquele trecho do bairro não é forte”, opina o corretor de imóveis e dono da Imobiliária Catedral, João Tadeu Racz. “O parque em si não vai valorizar os imóveis das proximidades, mas com o movimento de pessoas pode atrair novos estabelecimentos comerciais”.
De acordo com esse corretor, um outro aspecto é importante. “Com o parque, a preservação daquela vegetação vai ser garantida, o que poderia não acontecer com a construção do shopping”, comenta. “Quantas árvores forma retiradas de lá sob a alegação de que estavam secando ou com pragas?”
Estabelecida há 20 anos quase em frente da área em questão, a comerciante Dirce Nishitani vê com bons olhos a medida. “O comércio dessa parte da Avenida Oratório está muito parado, ao contrário da parte perto da Delegacia e da Avenida São Lucas”, relata. “Com área vazia estamos vulneráveis e temos bastante trabalho com serviços rotineiros de descupinização e dedetização. O parque pode incentivar e fortalecer novos comércios neste trecho”.
ALÍVIO E SAUDADES
A implantação do parque também é motivo de alívio para a comunidade que mora em habitações modestas da Rua Irulegui Cunha. “Se fossem mesmo construir o shopping, corríamos grandes riscos de ter de sair da área. Esse tipo de empreendimento não quer moradias humildes por perto”, conta o presidente da Associação dos Moradores dessa comunidade, Paulo Rodrigues. “Com o parque público nossas crianças, que hoje brincam na rua, terão um local apropriado para suas recreações. E todos sem distinção de classes poderão frequentá-lo”.
Dos tempos da fábrica das Linhas Corrente restam também boas lembranças e saudades. “Tínhamos um clube completo dentro da área com piscina recreativa, campo de futebol gramado, quadras esportivas, salão de festas e playground para os 1.200 funcionários e seus familiares”, conta o técnico de segurança no trabalho, Jair Vicente Ortega, que trabalhou nessa empresa por cinco anos até 1991. “A direção da empresa incentivava o lazer e apoiou o surgimento do Grupo de Escoteiros Corrente que era aberto a toda comunidade”.
GRUPO ZAFFARI E METRÔ
Via Assessoria de Imprensa, o Grupo Zaffari informou que “desenvolveu e aprovou projeto para a implantação de um centro comercial na área da antiga fábrica das Linhas Correntes, no Parque São Lucas, Vila Prudente.
Nos últimos dias, a Prefeitura do Município de São Paulo e o Estado de São Paulo demonstraram interesse de utilização da área para a realização de obras públicas (Parque Municipal e/ou Pátio de Manobras de Trens do Metrô) mediante desapropriação.
Por ora, o Grupo Zaffari aguarda a definição das autoridades responsáveis quanto ao efetivo destino que será dado à referida área, para então decidir sobre a retomada de nosso projeto para o local. A empresa permanece no firme propósito de investir na cidade de São Paulo, com empreendimentos que geram emprego, renda e desenvolvimento local”.
Já o Metrô informou que “não há incompatibilidade e nem prejuízo na área desapropriada no Parque São Lucas. Apesar do trecho de 50 mil m² desapropriado pela Companhia estar inserido nos 180 mil m² declarados de utilidade pública no decreto municipal nº 51.097, as obras para a construção do pátio de trens da extensão da Linha 2-Verde seguirão o cronograma estabelecido”.

